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Atenção à Saúde

Publicado: Segunda, 25 de Janeiro de 2016, 18h19 | Última atualização em Sexta, 31 de Março de 2017, 21h14

Os protocolos de vigilância e de atenção à saúde foram atualizados e reunidos em um só documento “Orientações Integradas de Vigilância e Atenção à Saúde no âmbito da Emergência de Saúde Pública”, elaborado pelo Ministério da Saúde, por meio das Secretarias de Atenção à Saúde (SAS) e Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS).

A integração dos dois protocolos busca ampliar as ações e serviços relacionados ao monitoramento das alterações no crescimento e desenvolvimento, identificadas da gestação até a primeira infância, podendo estar relacionadas às infecções pelos vírus Zika, sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, herpes simplex (STORCH+Zika), além de outras etiologias infecciosas.

Esta versão apresenta as definições atualizadas para notificação, investigação e classificação dos casos, que foram elaboradas em consenso com representantes de Sociedades Científicas Médicas, outras instituições e especialistas convidados. O documento ainda apresenta links para documentos relacionados, como de protocolos clínicos e dos sistemas de notificação.

O Ministério da Saúde e as Secretarias de Saúde dos Estados e Municípios contam com o apoio das instituições e especialistas nacionais, por meio da Rede Nacional de Especialistas em Zika e Doenças Correlatas (RENEZIKA), além da participação direta da Rede Mundial de Alerta e Resposta aos Surtos da Organização Mundial da Saúde (OMS), denominada GOARN (Global Outbreak Alert and Response Network).

O documenta reforça o papel das equipes de saúde na oferta de métodos contraceptivos e na orientação de mulheres em idade fértil e casais que desejam engravidar, especialmente sobre os cuidados necessários para evitar infecção pelo vírus Zika durante a gravidez. As equipes também terão de intensificar a busca ativa de gestantes para o início oportuno do pré-natal e acompanhar o desenvolvimento dos nascidos com microcefalia. Outro destaque do protocolo é a ampliação do acesso aos testes rápidos de gravidez.

Orientações para os profissionais de saúde

NA ATENÇÃO BÁSICA 

  • Avalie o risco epidemiológico para infecção por vírus da Dengue, Chikungunya e Zika, orientando quanto às ações de prevenção e controle e combate ao mosquito Aedes aegypti;
  • Oriente para que se evite ir a lugares com presença do mosquito e para a necessidade de eliminar possíveis criadouros existentes em casa, como também, o acúmulo de água em latas, tampinhas de refrigerantes, pneus velhos, vasos de plantas, jarros de flores, garrafas, caixas d´água, cisternas, sacos plásticos e lixeiras, entre outros;
  • Oriente também para o uso de telas nas portas e janelas para o mosquito não entrar;
  • Ressalte, principalmente para as gestantes, as medidas para a proteção contra a picada do mosquito: vestir calça e blusa de mangas compridas e, se portar roupas que deixem áreas do corpo expostas, usar repelente. É importante verificar atentamente no rótulo a concentração do repelente e definição da frequência do uso para gestantes;
  • Busque os meios disponíveis para garantir o acesso aos métodos contraceptivos e promova estratégias de educação em saúde sexual e reprodutiva envolvendo mulheres, homens, jovens e adolescentes, reforçando o planejamento reprodutivo e fornecendo subsídios para a escolha livre e informada. É importante reforçar o aconselhamento pré-concepcional;
  • Para as gestantes, oriente quanto à suplementação de ácido fólico e sulfato ferroso conforme preconizado pelo Ministério da Saúde;
  • Oferte o teste rápido de gravidez e intensifique a busca ativa de mulheres no início da gestação para que possam iniciar o pré-natal ainda no 1º trimestre (até a 12º semana). A busca ativa das gestantes faltantes ao pré-natal também deve ser intensificada. Realizar ultrassonografia obstétrica, ainda no 1º trimestre;
  • Intensifique as orientações sobre a importância de realização dos exames preconizados pelo Ministério da Saúde, incluindo o teste rápido para sífilis e HIV, e realização de vacinação de rotina para as gestantes. Investigue e mantenha o registro das informações na caderneta ou cartão da gestante sobre a ocorrência de infecções, rash cutâneo, exantema ou febre.
  • As consultas de Puericultura na Atenção Básica devem ser mantidas para os recém-nascidos com microcefalia, com atenção especial ao seu crescimento e desenvolvimento.

NA MATERNIDADE/HOSPITAL

  • As maternidades e hospitais devem adotar boas práticas de atenção ao parto e nascimento:
  • Estímulo ao parto normal;
  • Contato pele-a-pele entre mãe e recém-nascido (RN);
  • Clampeamento oportuno do cordão umbilical;
  • Amamentação na primeira hora de vida;
  • Realização de procedimentos de rotina após a primeira hora de vida; e
  • Seguir protocolo do Ministério da Saúde de reanimação neonatal em caso de necessidade.
  • Realize a anamnese da mãe e o exame físico completo do recém-nascido, incluindo exame neurológico detalhado, com destaque para a medição cuidadosa do perímetro cefálico (PC).
  • Seguindo recomendação da OMS, o Ministério da Saúde orienta adotar os parâmetros de InterGrowth, nas primeiras 48h de vida, para ambos os sexos.
  • Nessa nova tabela de referência, para uma criança que nasceu com 37 semanas de gestação, a medida de referência será 30,24 cm para meninas e 30,54 cm para meninos;
  • Orienta-se que a medição seja refeita com 24-48 horas de vida, pois a maioria dos RN por parto normal pode apresentar suturas cavalgadas (superpostas) que levam à redução do PC, que depois se normaliza;
  • A medida do PC deve ser repetida a cada consulta de puericultura após o nascimento, e qualquer desaceleração que coloque a medida do PC abaixo de -2 desvios padrões, para idade e sexo, pelas curvas da OMS e Intergrowth deve ser considerado suspeita de microcefalia e o caso deve ser notificado.

 
INVESTIGAÇÃO LABORATORIAL DE CASOS SUSPEITOS
Para a triagem infecciosa (sorologias), coletar amostras para:

  • Sangue do cordão umbilical (3 mL);
  • Placenta (3 fragmentos de dimensões de 1cm3 cada);
  • Líquido cefalorraquidiano do RN (1 mL); e
  • Sangue da mãe (10 mL).
  • Teste rápido de Zika é destinado a gestantes e crianças que se enquadrem no protocolo unificado, conforme orientação

EXAMES DE IMAGEM

  • Escolher a ultrassonografia transfontanela (US-TF), como primeira opção de exame de imagem;
  • A tomografia de crânio (TCC), sem contraste, deve ser indicada para recém-nascido cujo tamanho da fontanela impossibilite a US-TF e para aqueles em que, após os exames laboratoriais e a US-TF, ainda persista dúvida diagnóstica de microcefalia.
  • A ultrassonografia obstétrica é recomendada no primeiro trimestre de gestação, como rotina do pré-natal, para identificação de fetos com microcefalia e outras anomalias congênitas;
  • O Ministério da Saúde recomenda uma segunda ultrassonografia em torno da 30a semana gestacional Para ampliar o diagnóstico de possíveis alterações congênitas associadas à infecção pelas STORCH+Zika,.

Atenção: A alta do RN não deve ser adiada por causa de exame de imagem! Caso ele não tenha sido realizado, deve-se agendá-lo para realização ambulatorial.


TRIAGEM NEONATAL

  • A Triagem Neonatal (testes do pezinho, orelhinha e olhinho) deve ser realizada, possibilitando a detecção precoce de algumas doenças ou condições nos primeiros dias de vida.
  • Bebês com alteração detectada pelo Teste do Pezinho devem ser encaminhados para um Serviço de Referência em Triagem Neonatal/Acompanhamento e Tratamento de Doenças Congênitas.
  • A microcefalia e/ou alteração no sistema nervoso central está relacionada a alterações do desenvolvimento neuropsicomotor e do comportamento que podem ser acompanhadas por problemas auditivos e visuais.
  • Quando se identificar alterações na Triagem Neonatal, encaminhar o recém-nascido para um serviço de referência para a confirmação diagnóstica de deficiência auditiva ou visual. O RN diagnosticado com deficiência auditiva ou visual deve, então, ser encaminhado para um para serviço de reabilitação auditiva ou visual.

NO CENTRO DE REABILITAÇÃO

 

NOTIFICAÇÃO

  • Os casos suspeitos deverão ser notificados imediatamente às autoridades sanitárias e registrados no formulário de Registro de Eventos de Saúde Pública (RESP – Microcefalias), online e disponível no endereço eletrônico: www.resp.saude.gov.br
  • A notificação no RESP não exclui a necessidade de se notificar o mesmo caso no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) e outros sistemas de informação.

LOCAL DE REGISTRO

MOMENTO DA IDENTIFICAÇÃO DO CASO

PRÉ-NATAL

AO NASCER

NA PUERICULTURA

RESP

§ Feto
§ Aborto
§ Óbito fetal/natimorto
§ Recém-nascido
§ Criança

§ Feto
§ Aborto
§ Óbito fetal/natimorto
§ Recém-nascido com microcefalia (menos 2 dp) e/ou outras anomalias congênitas

§ Recém-nascido
§ Criança
§ Óbito neonatal precoce

SINASC

§ --

§ Crânio pequeno congênito, definido por um perímetro cefálico (PC) abaixo do 3º desvio padrão das curvas apropriadas para idade e sexo.
§ Se utilizar uma ou cut-off diferente (ex.: 2 desvios padrão), especificar o critério utilizado).
§ Excluir microcefalia associada com anencefalia [Q00.-] ou cefalocele [Q01.-].
§ Anomalias congênitas conforme manual do sistema

§ --

SIM

§ --

§ Natimorto
§ Óbito

§ Óbito

SINAN

§ Gestante suspeita ou confirmada

§ Gestante suspeita ou confirmada

§ Mãe suspeita ou confirmada de infecção durante a gestação
§ RN ou criança suspeita ou confirmada

CURSOS

O Ministério da Saúde disponibiliza cursos de capacitação e atualização para profissionais de saúde. São cursos sobre prevenção e controle do Aedes aegypti, manejo clínico dos pacientes com dengue e chikungunya e estimulação precoce e outros cuidados com crianças com microcefalia ou alterações no sistema nervoso central. As capacitações são gratuitas, abertas para profissionais de saúde de todo Brasil e utilizam recursos multimídia para facilitar a dinâmica de aprendizagem.
Veja cursos

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